06/06/2010

Und Kein Engel Steigt Herab

A lembrança atenuada de seus pensamentos o engana, discordam de suas faculdades mentais, languido em sua cama obtusa, ele se vê no espelho, o corpo já surrado pelo tempo e anuências de entorpecentes naturais criados por sua mente sombria.

Levanta-se vai até a janela vê as baratas humanas desfilando entre a selva de pedra.

Nota ao longe uma imagem mendaz. “minha mente estará me pregando uma peça”, olha novamente, todavia seus olhos estão doloridos e suas pálpebras já não suportam a luz.

Barulhos no corredor do prédio o deixam atento, busca algo para se defender do que não conhece. Anda até a porta olha através da fenda da fechadura.

Deslumbra-se com o que vê. Uma mulher caminha pelo corredor em direção a sua porta, melancolicamente ela desliza pelo corredor como se seu corpo fossem notas musicais.
Seu cabelo escuro, liso caindo sobre os ombros balança com o andar, seus olhos amendoados parecem duas bombas atômicas prestes a explodir.

Ela chega à porta, três pancadinhas de leve, todos os seus movimentos parecem ter saído de um computador, ela é perfeita.

Por alguns instantes vislumbra-se com a beleza da garota, chega a tocar a maçaneta, quando um surto de lucidez o atinge em cheio.

“Quem é ela?” pergunta-se, checa sua imagem no espelho, estará delirando, ninguém conhece este novo endereço desde que saiu de Rodacac.

Porque alguém estaria a sua porta agora.

Mais três batidas, agora com mais força. Ele caminha novamente até a porta.

Ela esta la parada observando a sua volta, seus seios parecem pedir para fugir do espartilho avermelhado que usa, seus lábios imploram por envoltura, sua pele, parece ser macia e sedosa ela da um passo para trás, ele continua observando estático e maravilhado com o que seus olhos vêem.

Novamente três batidas perfeitas não uma nem quatro mais três.

Ele caminha até a janela procura desesperadamente por uma resposta, “será uma alucinação?”.

Caminha até a sala a TV está ligada no mesmo canal de sempre.

Percebe que algo mudou, lembra do que viu quando saiu da cama.

Volta à janela, mas esta tudo normal, fornicação e violência prosperam ao léu.

Grita mas sua voz não sai, corre novamente até a porta, ela ainda esta ali, estática e maravilhosa.

“Quem?” ele pergunta, sua voz ecoa para ele mesmo. Nenhuma resposta.

Cambaleando foi em direção ao cômodo central.

Mas a chave não esta ali.

Caminha cegamente até a janela e tenta abri-la. Mais sua loucura esta aprazível, a janela fecha-se como uma cortina de teatro ao fim do espetáculo.
“Estou preso!”.

Senta-se ao lado da cama e tenta reorganizar seus pensamentos.

“Quando aconteceu?”.

"Nur Der Regen Weint am Grab"

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